Tempo para as escritoras brasileiras

 

                 Um título enganador :    “Diários da patinete: sem um pé em Nova                                                                            Iorque”,  de Lidia V. Santos

 

Pelo título, quase cometi o erro de não ler esse livro. Precipitadamente, achei que seria mais um guia de Nova Iorque escrito por alguma jovenzinha deslumbrada.

Qual nada!

Em vez da jovem deslumbrada, a autora é uma renomada professora (muitas vezes premiada) que lecionou por onze anos na Universidade de Yale, e nos faz viajar por suas referências eruditas, seu humor, e a história e ambiente da exuberante cidade que conhece bem.

Pode até ser considerado um guia, sim, mas cujas referências são Xavier de Maistre e outros tanto notáveis que estão permanentemente rondando as páginas desses diários.

“Temporariamente condenada à imobilidade” por um escorregão, Lidia foi capaz de fazer disso um pretexto para nos dar um livro delicioso e envolvente sobre uma cidade que muitos amam de paixão (inclusive eu).

Obrigada.

 

 

 

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Passeando com a Ivana

 

A querida Ivana de Arruda Leite acaba de lançar seu romance “Breve passeio pela História do Homem”.

Começa assim:  “No princípio era o Verbo

E o verbo era peludo e guinchava.”

Continua assim:

“Sentei na privada e me vi refletida nas paredes espelhadas do banheiro. Uma macaca velha e gorda que mal consegue se enxugar por causa da barriga que se deita sobre as coxas, o que dificulta muito o acesso à vagina.”

Quem diz isso é Lena, a protagonista de setenta e cinco anos dessa história ensandecidamente épica, que parte de “um bichinho chamado Plesiadapis, que media 58 centímetros e se alimentava de frutas e folhas” para chegar ao “mini sapiens mais lindo do mundo” e a uma conclusão emocionante.

É a Ivana sendo Ivana com toda a sua mordacidade, brilhantismo e, como bem definiu Nelson de Oliveira, “irreverência estoica”.

Recomendo enfaticamente esse breve passeio.

Você vai amar.

 

 

 

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Um bilhetinho para Luci Collin

 

Queridíssima:

Esse teu novo livro, “Peça Intocada”, é algo mais ou menos assim, junto e misturado:

  1. hilário;
  2. para ler só um pouquinho por dia para não acabar logo;
  3. a cada momento, uma surpresa;
  4. a todo momento, genial;
  5. e como é seu, evidentemente, a cada trecho, a poesia.

Daí que quando se chega à última página, o caso a se pensar é que ter um talento como esse seu para brincar com as palavras deve ser tipo uma benção.

Adorei.

Beijos,

Z

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