Encontros, palestras, bate-papos

 

SÃO PAULO METRÓPOLE MUSA

(Mesa-redonda na Bienal de São Paulo 2014, com Cristiano Mascaro e Carlos Augusto Calil)
Eu gostaria de começar com uma pergunta:
A cidade de São Paulo HOJE tem sido, de fato, musa para seus escritores (quer dizer, os escritores que vivem aqui atualmente )?
Com certeza ela já foi musa antes, especialmente para os modernistas de 22, quando era uma cidade cheia de promessas e um ímã para o país, com sua industrialização, seu enriquecimento, etc.
Mas à medida que foi crescendo, de maneira cada vez mais incontrolável ou pervertida, cada vez mais vítima de seus governantes e da especulação imobiliária, tenho a impressão de que ela foi se tornando não exatamente uma musa mas apenas um cenário, e quase sempre um cenário dramático, árido, feio, como se nós, escritores, víssemos apenas seu lado perverso e seus dramas humanos terríveis.
Excluo dessa visão os poetas. Os poetas têm escapado disso e são os que ainda proclamam com grande beleza sua paixão pela cidade.
Mas nós, romancistas e contistas, na maioria das vezes acabamos enfatizando apenas seu lado sombrio, caótico, poluído, fragmentado.
A megalópole esmaga, é verdade. Seus defeitos são inúmeros e declarados: a urbanização violenta, a insegurança, o trânsito, a falta de espaços de lazer comunitário, de contatos genuínos, a competitividade, tudo isso que sabemos e que leva a tanta infelicidade, loucura, solidão.
Sabemos que é urgente encontrar saídas: e o paradoxal é que elas existem, e são muitas. Há uma gama enorme de possibilidades que só encontramos aqui. E o desolador é constatar como é difícil ter acesso a elas; como nossos governantes não facilitam isso; como o cotidiano aqui pode engolir qualquer um de nós.
Para completar esse olhar atormentado dos romancistas e contistas, nós somos, a maioria, escritores pequeno-burgueses da chamada elite branca (para usar um termo que está na moda), e pouco conhecemos dos rincões pujantes que esta metrópole tem fora do nosso círculo, e da nossa zona de conforto. Mas foi essa riqueza criativa de seus moradores que me interessou profundamente. Essa capacidade de encontrar alternativas.
Para quem pretende falar de São Paulo, com certeza é impossível escapar de sua realidade brutal, mas eu não quis me restringir a isso. Porque ela não é apenas isso. Na verdade, são duas São Paulo em uma só: a que acolhe e a que mastiga e cospe.
E se eu não poderia deixar de falar de seu lado de madrasta cruel que cospe fora, também não queria deixar de falar de seu lado de mãe que acolhe nordestinos, nortistas, goianos, gaúchos, paraibanos, mineiros, cariocas, gente de todo canto do país, e de tantos outros países também. Devora muitos com seus mil dentes, mas também reúne as pessoas, abre possibilidades, enriquece culturalmente. E seus moradores moldam uma parte do que a cidade é, enquanto são também moldados por ela.
A rigor, o que me levou a escrever sobre a nossa metrópole foi meu fascínio e amor por ela, sua vitalidade, capacidade de resistência, seus nichos de beleza, a poderosa energia que se concentra aqui. São Paulo é um espelho da riqueza e beleza do país, de suas misérias e desigualdades. Com suas contradições e conflitos, sua exuberância de tipos humanos e riqueza de ideias, eu a vejo como um prato cheio para qualquer romancista. E exatamente por isso, eu quis tomá-la como meu principal personagem, e não tê-la apenas como cenário.
Com seus blocos de edifícios e asfaltos sobre mananciais e rios canalizados, seus carros e carros, e gente, gente, gente, uma diversidade assombrosa de gente, com suas dores, e também suas alegrias.
Não sejamos injustos com a nossa cidade. Seu morador – pensemos em nós mesmos – tem seu quinhão de coisas boas. Vivemos aqui porque, apesar dos muitos pesares, queremos viver aqui e usufruir da gama enorme de recursos que só ela nos oferece.
Assim, o que mais a define, me parece, é que aqui, tudo é possível: o bom e o ótimo; o médio e o insignificante; o ruim, o péssimo – e o pior.
É como se o mundo coubesse aqui.

Foi pensando em tudo isso que escrevi meu “Pauliceia de mil dentes”.
É um romance com muitos personagens que se entrelaçam em função de um ato de violência: o assassinato de uma estagiária de um escritório de advocacia pelo ex-namorado ciumento.
Essa jovem estagiária, a sansei Susuki, embora seja o eixo em torno do qual se desenrola o romance, é um personagem sem voz. Eu não pensei isso no momento em que escrevia, mas hoje vejo que ela de alguma maneira representa a cidade que poderia ter sido e que não é. Que se tornou vítima. Enquanto seu namorado Erasmo, o motoboy, é a parte que segue em frente. Que, apesar do sofrimento e da descrença, tem um futuro, e se dirige para ele.
Imaginei meus outros personagens como uma pequena amostra da diversidade que encontramos aqui: tem a mãe do motoboy, que complementa sua aposentadoria com guardadora de carros. Tem a faxineira do escritório e suas irmãs, uma desempregada, a outra vendedora de perfumes. Tem uma advogada, esposa de um estilista. Tem uma transexual, e um pastor evangélico que funda a Igreja da Permissão Divina. Tem um diretor de teatro e sua família disfuncional. Tem meninos de rua, um motorista e uma cabelereira. Tem a avó de uma tradicional família paulista, com suas filhas, uma, socialite, e a outra arquiteta frustrada. Tem um empresário e seu filho (e devo estar esquecendo alguém porque minha megalópole é superpovoada mesmo). Eles são nordestinos, goianos, judeus, italianos, japoneses, índios – pode parecer surpreendente mas há cerca de 38 etnias indígenas vivendo aqui.
E tem também jabuticabeiras: não sei se vocês já repararam quantas jabuticabeiras ainda sobrevivem na cidade. Elas vieram de um tempo em que São Paulo era lugar de chácaras e grandes quintais. Fico emocionada quando vejo uma. Não por melancolia de um tempo que passou. Mas por admirar sua força e capacidade de se impor dentro de um ambiente que foi se tornando cada vez mais hostil.

E é por todas essas coisas que eu acho que, para nós, romancistas, São Paulo é musa contraditória, e encará-la é um desafio e tanto. Com minha “Pauliceia de mil dentes”, tentei aceitar o desafio. Foi um livro que me deu muito trabalho, mas que adorei escrever.
Porque mesmo sendo impossível para a literatura dar conta desta cidade grandiosa, foi apaixonante tentar.

 

(São Paulo, 25 de agosto de 2014)

 

 


ESCREVENDO PARA JOVENS
NOTAS SOBRE “O voo da arara azul”

Novela juvenil de Maria José Silveira com quadrinhos de Valentina Fraíz-Grijalba

– Se existe alguma regra ao escrever para um jovem, acho que ela é uma só: procurar encantar. É pelo encantamento da linguagem que se conquista o leitor.

– Nada de ensinamentos, nada de “moral do conto”.
Temos os pais, a escola, os professores para ensinar. À literatura cabe apenas mostrar que o mundo é muito maior do que aquele que o jovem vê a seu redor – e isso é mesmo o que a literatura faz naturalmente, por definição.

– Escrever para o jovem é, no fundo, a mesma coisa que escrever para o adulto. Com talvez uma grande diferença porque o jovem é uma ponta de flecha se preparando para ser lançada. O jovem é formidável. Ele é todo futuro, todo indagação, todo pergunta, só que não é na literatura que ele vai
encontrar suas respostas. Assim como a criança, assim como o adulto, na literatura o jovem vai encontrar o outro. E vai perceber o quanto o outro é semelhante a si mesmo. Como o outro faz coisas que ele quer fazer. E como, na imensa vastidão do mundo, ele não está sozinho.

– Gosto muito de escrever para jovens. Mas o jovem talvez seja o leitor mais difícil porque ele é um feixe vivo de contradições. Ao mesmo tempo em que está descobrindo o tamanho do mundo, ele está também muito imerso em si mesmo, em suas próprias angústias e, sobretudo, em seu próprio grupo de amigos. Se seu grupo não lê, ele dificilmente vai ler, ou vai ler pouco.

– Por outro lado, o jovem adolescente talvez seja o leitor mais puro – na falta de outro adjetivo melhor. Ele gosta ou não do livro pelo que o livro é, sem intermediações. Ele pode ler obrigado pela escola, mas gostar ou não é uma coisa completamente diferente. Para que ele goste, pouco importa a interferência da crítica, do cânone, do professor, e muito menos dos pais. Nem importa o prestígio desse ou daquele autor. O que importa é o que o livro lhe diz. O adolescente é um leitor que não deve nada a ninguém, a não ser a ele mesmo. E ele é todo questionamento, movimento, efervescência. A adolescência é a idade das primeiras descobertas e das primeiras grandes perguntas (Quem sou eu? O que estou fazendo aqui? Que mundo é esse? O que ele quer de mim?)

– E então acontece um fenômeno como o do Harry Potter. E de repente todo jovem começa a ler com uma enorme voracidade e prazer.
É curioso como a realidade acaba sempre se encarregando de derrubar nossas falsas certezas. Para quem dizia que o jovem moderno é um escravo da TV, da internet, do videogame, Harry Potter foi uma surpresa e tanto.
O que aconteceu?
Acho que ninguém sabe direito a resposta mas todos vemos as consequências disso.
O fenômeno Harry Potter veio jogar por terra várias regrinhas da indústria editorial moderna dependente do mercado. Uma delas foi a que dizia que o jovem era incapaz de ler um livro de mais de 100 páginas. Por isso, os livros para jovens do mercado editorial até pouco tempo atrás eram o mais fino possível. No Brasil, chegaram a esfacelar em finas brochuras os livros relativamente grossos de Monteiro Lobato, como se seus editores fossem herdeiros de “Jack, O Estripador”. Mas agora, como me contou minha editora, o pessoal das editoras estrangeiras só quer livros cada vez mais grossos. Este livro mesmo, “O voo da Arara Azul”, ia ser editado na Alemanha mas aí eles disseram, “Ah, mas ele é tão fininho! Peça pra autora continuar a história e aumentar um pouco.”

– Pra vocês verem que é melhor que nós, escritores, não tenhamos muitas regras na cabeça. A não ser uma, aquela primeira: encantar. É pelo encantamento que seremos capazes de chegar até nosso leitor, seja ele de que idade for.

Passemos, então, ao “O Voo da Arara Azul”.

Este é um livro que fala da descoberta do amor e de como o amor leva a pessoa a se abrir para o mundo e tentar entendê-lo, e para isso conta a história de um garoto que se apaixona platonicamente pela jovem vizinha casada que vem morar na casa ao lado. Ele começa a segui-la sem ser visto, e pouco a pouco vai descobrindo coisas que ele nem sabia que existiam.

E a história se passa em algum momento dos anos 70, época da ditadura militar no Brasil.

(Para quem ainda não leu, posso fazer um pequeno resumo.)

André é adolescente (tem por volta de 13 anos). Mora numa rua tranquila em um bairro de classe média. As casas são geminadas, com um quintal pequeno atrás e uma edícula. André mora com os pais e dois irmãos mais novos. Ele tem uma arara azul chamada Magda.
Na casa ao lado, mora um jovem casal e um tio mais velho. O marido e a mulher têm por volta de 22, 23 anos. O tio está na casa dos 40. O casal trabalha fora, a mulher – Lia – é enfermeira e o marido – Alfredo – é vendedor. Os três formam uma família simpática no bairro, e a jovem enfermeira é bonita e cheia de vida. Ela vê a arara azul do quintal da outra casa e, a partir daí, começa a amizade com o garoto vizinho.
André torna-se amigo dos três e sente uma paixão adolescente por Lia. Por coincidência, o horário em que ele sai para a escola coincide com a saída dela para o trabalho, e os dois caminham junto, conversando, até o ponto de ônibus.
Encantado com Lia, André começa a seguir seus passos e se interessar por sua vida. Espreita da janela e do quintal. Aos poucos, vai acompanhando o movimento e começa a descobrir o que acontece ali: a casa vizinha, na verdade, é um “aparelho” de uma organização de esquerda, onde funciona uma pequena gráfica. De lá saem panfletos, jornaizinhos e documentos. O marido e o tio são o que era chamado de “profissionais” da organização – dedicados à militância em tempo integral – e têm um emprego de fachada. Lia é também militante, mas seu emprego de enfermeira é real, e é ela quem mantém a fachada legal do “aparelho”.
A amizade de André com Lia e Alfredo se aprofunda. Ele está platonicamente apaixonado por Lia. Admira também Alfredo e o tio. O texto vai se deter no aprofundamento dessa amizade, na vida do “aparelho” e no momento político do país.
Escutando as notícias da repressão, os comentários da mãe e do pai, etc., André começa a se preocupar com a segurança dos três vizinhos.
Outro detalhe da história: André é doido por gibis e gosta de fazer seus próprios quadrinhos. No decorrer do texto, ele vai desenhando algumas tiras que funcionam como comentários seus sobre os eventos que está vendo e vivendo.
Um dia, no hospital onde Lia trabalha, acontece a fuga de um preso político que estava internado, devido às torturas. A situação se complica. André, ao seguir Lia, percebe que ela está sendo também seguida por policiais.
A partir daí, acontecem algumas peripécias, ele confirma que realmente a repressão está vigiando a casa e avisa aos vizinhos que conseguem fugir.
André perde o contato com eles, e não sabe o que aconteceu.
Anos depois, já adulto, na carreira de cineasta, André reencontra Alfredo. Fica sabendo, então, o que aconteceu com eles e decide filmar a história de seu amor por Lia. Seu filme se chamará “O voo da arara azul”.
– Uma das novidades do livro é incorporar ao texto os quadrinhos que André, o garoto-personagem fã de gibis, vai desenhando ao longo da história. Incorpora também um jornalzinho, distribuído na época por uma organização de esquerda.
Como vocês veem, portanto, é uma história explicitamente política.

– Muita gente ouve falar em literatura política e se arrepia. Pensa que vai ser uma coisa panfletária, que o autor vai querer te convencer sobre o que ele pensa, que vai denunciar isso ou aquilo, que vai tratar só de tristezas e coisas ruins.
Mas não é nada disso.
Quando eu falo de política, não me refiro a essa política comezinha do dia-a-dia, dos jornais nacionais, de fulano roubou isso, sicrano passou a perna em seu adversário, beltrano fugiu com o dinheiro. Não. Isso é apenas um dos muitos aspectos e sintomas dessa política muito mais ampla sobre a qual gosto de falar, que na verdade significa uma coisa que está na base da sociedade em que vivemos: a maneira como ela se organiza para que todos nós possamos viver.
A não ser o ermitão que vive isolado e comendo apenas o que caça ou colhe, todos nós que vivemos em sociedade, vivemos em sociedade porque ela está organizada. E como ela está organizada – e se está bem organizada ou se é preciso melhorá-la – é justamente o que entendemos por política. E é por isso que, tudo, absolutamente tudo a nosso redor, a rigor, é político. Portanto, todos os livros, desse ponto de vista do qual estou falando aqui, são políticos.

– Mas não é apenas a isso que me refiro quando digo que faço uma literatura política, por que em alguns romances – nem todos – mas em alguns, como neste “O Voo da Arara Azul”, eu vou um pouquinho mais além e faço uma literatura explicitamente política. Quer dizer: uma literatura que, ao situar os personagens em seu contexto maior, no mundo em que vivem, coloca-os no meio de um determinado conflito social e político. Faço isso em praticamente todos os meus livros, porém em alguns os conflitos dessa sociedade ficam mais explícitos. E é a isso que chamo de ser explicitamente político. Nesse caso do “Voo da Arara Azul”, esse contexto é a época da ditadura civil-militar no Brasil, que durou de 1964 a 1985, isto é 21 anos.
O que eu conto no livro é a história da experiência de um garoto que viveu nessa época, e descobre o amor nessa época, ou seja, eu falo então e sobretudo de uma experiência humana – pois é isso que a literatura faz.

– E vejam bem: em nenhum momento, como os que leram o livro já sabem, eu tento convencer o leitor a respeito de alguma coisa. Eu conto a história do meu ponto de vista – que, aliás, é o que todo escritor faz porque é literalmente impossível você escrever a partir de outro ponto de vista que não o seu. Mesmo quando você dá vida a um personagem completamente diferente de você, você parte de você para chegar a ele: do que você pensa que ele pensa, como você pensa que ele age, que ele come, que ele veste, etc. Escrever é como olhar: você só pode olhar a partir do ponto de vista onde está e com os seus olhos.

Portanto: eu conto a história a partir do meu ponto de vista – o que na verdade o leitor sabe desde que pega o livro nas mãos – e deixo que o leitor tome suas próprias decisões. (O que, aliás, é o que ele faria mesmo, quer eu deixasse ou não. A leitura que um leitor/leitora faz de um livro é sempre diferente – ligeiramente ou muitíssimo diferente – do que o autor/autora pensou.)

Então, o que eu faço – ou pelo menos tento fazer – quando escrevo para crianças, para jovens e para adultos, é primeiro: emocionar e entreter – se o livro não emociona e não seduz, se não leva o leitor consigo, ele perde sua razão de ser. Mas, segundo: o que eu gostaria é que meu livro levasse o leitor a também pensar um pouco. Que, ao ver o personagem vivendo aquele determinado tipo de problema, ele se questionasse: eu faria isso ou faria diferente?
Ou seja, o que eu tento fazer no que escrevo, tanto para jovens como para adultos, é uma literatura de ideias. Há poucas coisas no mundo mais gratificantes do que ter ideias. Que o leitor pense no que leu… e, claro, que também goste.

Maria José Silveira

Passo Fundo, junho, 2011


HISTÓRIA EM MINHA OBRA

Acho curioso, mas devido aos meus romances, algumas pessoas acreditam que tenho formação de historiadora. Não tenho. A rigor, nem sou exatamente o que se pode chamar de uma apaixonada pela História como disciplina. Não foi como historiadora que me formei e sim como antropóloga. Foi como antropóloga que aprendi a pesquisar e aprendi também o imenso valor das “histórias de vida” e da necessidade de “ouvir o outro” – o que, particularmente, acho que informa minha literatura muito mais do que a História como disciplina.
Na verdade, o que me interessou sobremaneira na História, não aprendi com historiadores, mas com um filósofo chamado Karl Marx. Foi com sua obra e a de Engels e a de outros marxistas dignos desse nome que comecei a perceber que a História é um processo de conflitos e transformações que começa quando o homem começa e vai terminar só quando ele terminar. Somos nós, e nossa sociedade, produtos dela, e é ela que está a nossa volta e nos pôs aqui, hoje, nesse lugar. Ela, portanto, é feita do mesmo material de que a literatura é feita: homens, mulheres, movimento e conflitos.
Assim, meus livros – como aliás, os livros de qualquer escritor, implicitamente ou não –-, estão impregnados por ela. No meu caso, muito explicitamente. Desde meu primeiro livro, o que me interessou como escritora foi um questionamento que tem tudo a ver com ela: como esse tema (esse personagem, essa questão) veio parar aqui, dessa maneira? O que significa? (E o “para onde vai?”, resolvo com a ficção quando é possível resolver, ou deixo em aberto – aliás, gosto muito de deixar o final dos meus livros nas mãos desse processo que continua levando-os sei lá para onde.)
Hoje, depois de cinco romances escritos, posso dizer com muita clareza que é esse processo de transformação que me interessa. Quando me apaixono por um tema a ponto de querer escrever sobre ele, o que eu quero falar é disso: o que é ele dentro desse amplo movimento? Por isso, acredito, meus romances, até hoje pelo menos, nunca ficam estacionados em uma época. Voltam para trás ou vão para frente ou voltam e vão.
No meu primeiro livro, “A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas”, essa característica é muito clara. Nele, conto a saga da linhagem de uma família cuja história começa em 1500, com uma índia tupiniquim de seus 13 anos, chamada Inaiá, e um marujo português de nome Fernão. E termina, em 2002, com uma jovem carioca chamada Maria Flor, grávida de gêmeos.
No segundo romance, conto a história de amor e morte de Eleanor Marx, que se suicidou aos 43 anos quando, como última gota d´água, descobriu que seu companheiro, com quem vivia havia 14 anos, saiu uma manhã de casa, foi até Londres, se casou com uma atriz bem mais jovem, e… pasmem!, voltou à noite para dormir.
O terceiro, “O Fantasma de Luís Buñuel”, conta a história de cinco jovens que se conheceram na Universidade de Brasília em 68, e se reencontram de 10 em 10 anos para pôr a vida em dia. São jovens bem diferentes uns dos outros, mas se tornaram amigos e viveram na época da ditadura e na redemocratização do país. Cada um com seus dramas e conflitos e histórias de vida.
O quarto, “Guerra no Coração do Cercado”, tem como personagem uma figura da colonização de Goiás, Damiana da Cunha, a índia panará que foi criada por um governador e serviu de mediadora entre os colonizadores brancos e sua tribo que em poucos anos, como era de se esperar, foi praticamente extinta.
O quinto, que será publicado no segundo semestre deste ano, “Com esse ódio e esse amor”, tem como personagem uma engenheira que vai construir uma ponte na Colômbia e acaba seqüestrada pelos guerrilheiros das FARC. Conto sua história entrelaçada com uma outra, a de Tupac Amaru, personagem lendário da luta de libertação da América Latina.
Toda a minha obra infanto-juvenil – já publiquei 16 livros nessa área, sobretudo para adolescentes – é também informada por essa mesma visão da História.
E não é que eu me sente à frente da página em branco do computador e diga, “Bem, vou começar outro romance onde a História vai entrar de tal maneira assim e assado.” Não. Não é assim que acontece. É de uma maneira muito mais natural, muito mais fora de qualquer controle meu.
Mas não que as idéias brotem como maçãs do Paraíso que, como Eva, a escritora estende a mão e colhe na árvore mais próxima à sua janela. Ao contrário, nascem dentro dela, de sua vida, sua experiência pessoal, do que viu, leu, aprendeu, assimilou, se apaixonou. As historias nascem da paixão de um escritor. E o escritor só se apaixona por algo que lhe interessa profundamente. E a razão pela qual tal ou qual assunto lhe interessa a esse ponto só sua “história de vida” vai poder explicar: o que viveu, quem conheceu, o que observou. Todo o material, enfim, que forma sua cabeça e a partir do qual ele vai poder, de alguma forma, ter alguma coisa para contar ao leitor.
Além disso, no meu caso, embora tendo tanto a ver com a História, todos os romances partiram também de questões absolutamente contemporâneas.
“A mãe da mãe…” começou a se esboçar para mim na época das comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Nessa ocasião, pesquisadores de biologia da Universidade Federal de Minas Gerais, analisando nosso DNA, descobriram que 2/3 dos brasileiros têm sangue indígena e negro. E que essa herança biológica teria vindo por parte da mãe. O pai contribuía com a parte européia do DNA. Achei isso extremamente interessante e me veio a idéia de escrever um romance que mostrasse concretamente como essa miscigenação brasileira poderia ter se dado.
No caso do romance sobre a “Eleanor Marx…”, foi lendo uma inverdade sobre ela em uma biografia do pai, onde o autor dizia que Eleanor tinha feito um pacto de suicídio com seu companheiro, e que ela havia se suicidado e ele não. Fiquei perplexa. Seria possível que uma mulher como ela morresse vítima de um engano desse quilate? Comecei, então, a pesquisar o tema. A história era apaixonante, é verdade, mas creio que boa parte do meu interesse por ela veio também do fato de sempre ter sido admiradora de Marx e sua família – da minha “história de vida”, portanto. É um romance que se passa na Londres do século XIX, mas é, sobretudo, uma história de amor que procura entender os componentes do desespero extremo de uma pessoa frente à vida. O que me parece um tema bastante contemporâneo
Já em “Guerra no coração do Cerrado”, meu interesse pela história do conflito entre o povo panará e os colonizadores de Goiás veio de duas vertentes. Goiás é minha terra e por isso eu conhecia a figura da Damiana da Cunha, a personagem do romance – mas o que me levou, de fato, a me apaixonar por ela a ponto de me dedicar a escrever esse livro, foi a questão do conflito mortal entre duas culturas muito diferentes e a incapacidade da chamada civilização ocidental de reconhecer e respeitar os direitos do “outro”. Existe tema mais atual do que esse?
Já meu novo romance, “Com esse ódio e esse amor”, começa com meu interesse pelas FARC, uma guerrilha que existe até hoje, depois de mais de 40 anos – como é possível isso, eu me perguntei? – e também por Tupac Amaru, cuja história conheci por ter vivido vários anos no Peru. Quanto à atualidade do tema, nesse exato momento, enquanto falamos aqui, um seqüestro das FARC pode estar ocorrendo em alguma estrada colombiana.
Para finalizar, cito um autor que resume essa minha experiência ao escrever meus romances, e a coloca em seus devidos termos:
Ele é um crítico, professor e escritor americano chamado Thomas C. Forster. E diz que:
“…. dificilmente existe um romance que não revele, de alguma forma, seu momento histórico. Um livro pode ter seu cenário 800 anos atrás ou muitos séculos no futuro, pode até voar para além dos limites da terra para uma galáxia muito, muito distante, mas ainda assim é um produto do AGORA, quando quer que esse agora tenha sido. E o agora é sempre um produto da época. A história vai entrar, quer se queira ou não.”
Ou seja: não há escritor que não seja do seu próprio tempo e lugar. E seu tempo e lugar são determinados por essa dama eternamente presente, de feições cambiantes, às vezes magnânima, tantas vezes cruel, a quem chamamos História.

(Casa das Rosas, 7 de julho de 2010, evento “Conversas Literárias: Literatura e História na produção contemporânea de Língua Portuguesa”

——-

FICÇÕES AUTOBIOGRÁFICAS

“Sempre evitei falar de mim.
Falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na seleção dessas coisas
não haverá um falar de mim?”

João Cabral de Melo Neto, “Dúvidas apócrifas de Mariane Moore”

E ainda dele: “O importante para um escritor é não querer ser o que, realmente, ele não é”

Vou começar dizendo um paradoxo. Primeiro: a ficção autobiográfica é a doença infantil da literatura e uma das primeiras medidas que um escritor deve tomar, mesmo antes de sequer sentar para escrever, é se vacinar contra ela. E, no entanto, mesmo assim, mesmo devidamente vacinado, toda ficção é, em certo nível, autobiográfica.
Expliquemos.
Primeiro: a ficção autobiográfica como doença infantil. É muito comum – e acho que os amigos escritores aqui presentes vão concordar comigo – que a grande tentação de um escritor iniciante é escrever sobre alguma coisa de sua vida. É muito comum e perfeitamente explicável. Um escritor escreve sobre algo que conhece bem, e observa, e provoca sua imaginação, portanto nada mais natural do que escrever sobre o que lhe aconteceu. É o caminho aparentemente mais fácil e natural. Mas, na verdade, é o mais desastroso e o mais difícil. Só um escritor já muito experiente e capaz consegue transcender sua história de vida particular e transformá-la em algo que interesse ao Outro. É uma tarefa para os grandes. E é a armadilha em que os pequenos frequentemente caem e muitas vezes não conseguem jamais se levantar.
Que isso fique muito bem entendido. Do meu ponto de vista, não há nada pior do que esse tipo de literatura: a que parte da confusa floresta de seu pequeno eu e nela se perde e dela não consegue se livrar porque a partir dela é quase impossível imaginar um horizonte maior e alçar vôo.
Isso posto, no entanto, chegamos à segunda parte do paradoxo: toda ficção, em um certo nível, é autobiográfica. Mas não de uma maneira direta e sim através de inúmeras mediações sutis. E se pensarmos bem, veremos que não poderia ser de outra forma. A matéria prima do escritor é a observação do mundo e o ponto a partir do qual ele observa o mundo não pode ser outro que não o seu, ali onde ele está e onde foi sua vida que o colocou. É a partir daí que ele vê, sente, observa, aprende, se inquieta, se emociona, e escreve. Não há como escapar disso. É a partir de sua vida – ou seja, sua autobiografia – que sua literatura existe.
Isso parece óbvio – e o é – mas é dessas verdades que de tão óbvias podem passar despercebidas. Pois às vezes, a vacina contra a ficção autobiográfica primária funciona tão bem que muitos autores passam a ter alergia a esse tipo de colocação e começam a achar que sua literatura – sei lá como! – é um sopro inexplicável e insondavelmente misterioso a que chamam de inspiração. Que é algo misterioso, realmente, mas que se é que realmente existe, surge justamente da vida – e do inconsciente – desse autor.
Vejamos, por exemplo, o meu caso.
Quando comecei a escrever, eu era do tipo vacinado. Achava que minha história de vida não interessava a ninguém a não ser a mim mesma e ao Felipe e, talvez, a meus filhos, e olhe lá! Qual não foi minha surpresa, portanto, ao começar a perceber que as coisas não eram bem assim.
Para começar, a minha origem. Nasci em uma pequena cidade do interior de Goiás, perfeita para um escritor pois parecia saída de uma ficção brasileira. Era uma cidade na época dividida entre duas famílias de políticos, inimigas mortais uma da outra, e tinha seu louco, seu bobo, seu médico, seu juiz, seu farmacêutico, suas histórias de assombrações, de mortes fantástica, de trombas d’água, de bichos. A cidadezinha típica do interior do país. Eu não cresci lá – com poucos meses minha família se mudou para Goiânia – mas voltava sempre nas férias para a casa de minha avó, cheia de primos e tios e todo tipo de aventura. Aos 14 anos, fui para um internato em Belo Horizonte, depois passei um tempo em Nova York. Quando voltei, minha família se mudou para Brasília, e lá fiquei até terminar a universidade. Depois, passei um tempinho em Paris, e me mudei para São Paulo. Poucos anos depois para Lima, depois para o Rio, depois de volta a São Paulo. Ou seja, a vida toda, fui bastante cigana, e adulta, me considerava completamente distante de Goiás aonde só ia nas férias de final do ano para visitar a família. Qual não foi minha surpresa, portanto, quando, ao começar a escrever, me descobri profundamente goiana. Culturalmente goiana, apaixonada pelo planalto central, pelo cerrado, pela luminosidade do céu, as cores, a música, a paisagem, a vastidão sem limites do horizonte goiano. Foi quase preciso começar a escrever para descobrir que uma das coisas que mais me emocionam, por exemplo, é ter de parar numa estrada para deixar passar o rio formado por uma boiada branca, com os mugidos de revolta do gado sendo levado sabe Deus pra onde, o chamado lamentoso do berrante e o cheiro adocicado, vejam vocês, da bosta.
E esse Goiás está praticamente em todos os meus livros.
Mesmo quando é um livro todo de pesquisa – como foi meu primeiro romance, “A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas” Goiás está lá, como estão também minhas leituras, meus gostos, meus desgostos, minhas observações do mundo – pois é disso que um romance é feito, das estradas que seu autor percorre. O estilo de um escritor, eu acredito, vem das relações que ele estabelece de uma coisa com outra – por exemplo, da cor branca de um vestido com ……… que ele viu um dia, e essas relações que só ele pode estabelecer, porque só ele vai poder juntar isso com aquilo dessa determinada maneira porque só ele viu aquilo daquele jeito (melhorar isso). É a sua marca.
O meu segundo romance não tem nada a ver com Goiás e aparentemente não ter nada a ver comigo. Realmente, por que cargas d’águas uma goiana iria se interessar em escrever um livro sobre o suicídio de uma inglesa do século XIX? Mas só minha história de vida como militante de esquerda é que explica isso. Ou seja, por menos autobiográfico que esse romance seja, foi totalmente determinado pela minha biografia.
E por aí vai.
Em cada livro que qualquer autor escreve, se você quiser mesmo saber, vai encontrar a origem desse livro na vida daquele autor.
Em meu terceiro romance, isso é absolutamente claro. Todo o pano de fundo, todos os bastidores, todas as relações, toda a estrutura e intenção do livro tem tudo a ver com a minha vida, desde o começo na Universidade de Brasília onde me formei, até o final em São Paulo. Mas não tem nenhum, nenhum momento autobiográfico. O livro tem uma personagem explicitamente goiana que não tem nada a ver com a minha vida, e outra vez tem tudo a ver comigo nesse sentido maior, mais abrangente, mais verdadeiro e mais sutil. E não apenas ela, como todos os outros quatro personagens.
E nesse meu romance mais recente, “Guerra no Coração do Cerrado”, a mesma coisa. Meu interesse em escrevê-lo só se explica, mais uma vez, porque sou de Goiás. Embora muita gente ache que eu faço romance histórico – na verdade, essas classificações podem ter algum valor para as análises históricas, mas para nós, escritores, acho que não – mas devo concordar que é o que mais se aproxima disso. É um romance que trata de um personagem histórico de Goiás, uma índia panará que serviu como mediadora entre os colonizadores brancos e as aldeias de seu povo. Não tem nada de autobiográfico, mas tem tudo a ver com a minha autobiografia.
Com os infanto-juvenis que escrevo, também, a mesma coisa. Há sempre a mesma relação sutil e mediada entre os temas e questões e situações que não aconteceram comigo mas têm tudo a ver com minha vida.
Se minha vida tivesse sido outra, outros seriam os livros que eu escreveria.

O escritor é sua vida – e disso ele não tem como fugir.

(Palestra para o Itaú Cultural)

—————————————————————–
ESCREVENDO PARA CRIANÇAS E JOVENS
NOTAS DE UMA ESCRITORA

– Se existe uma regra ao escrever para crianças, ela é só uma: procurar encantar.
É pelo encantamento que se conquista um novo leitor.

– Nada de ensinamentos, nada de “moral do conto”. Hoje, temos os pais, a escola, os professores para ensinar. À literatura cabe, no máximo, mostrar para a criança que o mundo é muito maior do que aquele que ela vê a seu redor – e isso a literatura faz naturalmente.

– E o faz principalmente pela linguagem e o ritmo – e nisso a literatura infanto-juvenil é igual, tão difícil ou fácil, como qualquer outra literatura. Entre conteúdo e linguagem, eu hesito um pouco mas acabo tendo que reconhecer que a linguagem tem primazia. É possível você se encantar com um livro que é puro jogo de palavras, som e ritmo – mas não dá para você considerar como literatura o que é apenas uma história contada de maneira tediosa e sem graça.

– Um das características da literatura para criança é o fato de que, como a criança é toda imaginação, ela aceita mais facilmente o que a imaginação do escritor propõe. A necessidade da verossimilhança perde sua força. Em compensação há uma exigência maior do fantástico, do desrespeito à lógica estrita. A literatura para criança é o reino absoluto da imaginação e da graça.

– Escrever para o jovem é, no fundo, a mesma coisa. Com uma talvez grande diferença porque o jovem é uma ponta da flecha se preparando para atirar. O jovem é formidável. É todo futuro, todo indagação, todo pergunta, só que não é na literatura que ele vai encontrar suas respostas. Assim como a criança, assim como o adulto, na literatura o jovem vai encontrar o outro. E vai perceber o quanto o outro é semelhante a si mesmo. Como o outro faz coisas que ele quer fazer. E como, na imensa vastidão do mundo, ele não está sozinho.

– Gosto muito de escrever para jovens. Mas o jovem talvez seja o leitor mais difícil porque ele é cheio de contradições. Ao mesmo tempo em que está descobrindo o tamanho do mundo, ele está também muito imerso em si mesmo, em suas próprias angústias e, sobretudo, em seu próprio grupo de amigos. Se seu grupo não lê, ele dificilmente vai ler, ou vai ler pouco.

– Mas então acontece um fenômeno como o do Harry Potter. E de repente todos estão lendo com uma enorme voracidade e prazer.
É curioso como a realidade acaba sempre se encarregando de derrubar nossas falsas certezas. Para quem dizia que o jovem moderno é um escravo da TV, da internet, do videogame, Harry Potter foi uma surpresa e tanto.
O que aconteceu? Acho que ninguém sabe.
Mas o fato é que o fenômeno do Harry Potter veio jogar por terra várias regrinhas da indústria editorial moderna, escravizada ao mercado. Uma delas foi a que dizia que o jovem era incapaz de ler um livro de mais de 100 páginas. Por isso, os livros do mercado editorial até pouco tempo atrás eram o mais fino possível. No Brasil, chegaram a esfacelar em finas brochuras os livros relativamente grossos de Monteiro Lobato, como se seus editores fossem herdeiros de “Jack, O Esripador”. E agora, como disse uma editora amiga, os editores na Feira de Frankfurt só querem livros cada vez mais grossos.

– Em resumo, é melhor que nós, escritores, não tenhamos muitas regras na cabeça. A não ser uma, aquela primeira: encantar. É pelo encantamento que seremos capazes de chegar até nosso leitor, seja ele de que idade for.

Share

Uma resposta a Encontros, palestras, bate-papos

  1. mariana disse:

    ola ! estou fazendo uma analize estrutural da sua obra “uma cidade de carne e osso”. adorei o livro ! na dedicatoria voce menciona o nome da dona Diva. Como sou curiososa, gostaria de saber quem ela ?
    obrigada, atenciosamente
    Mariana

  2. Silvana disse:

    Zezé, que delícia ler esses textos que tratam do encanto da literatura de uma forma absolutamente encantadora. Obrigada por compartilhar!

  3. Ah, que bom que você gostou! E eu é que agradeço. Beijocas.

  4. Fernanda disse:

    Cheguei aqui por acaso, querendo saber mais informações da programação do Itaú Cultural na Flip. E encontro esse blog com textos interessantes! Agora já devidamente assinado para eu voltar aqui mais vezes!

  5. Olá, adorei seu blog, estava pesquisando escritores de Campinas e cheguei aqui.
    Adorei seu blog, também tenho um chamado Livro Nas Mãos, se quiser dar uma olhada, o link é este: http://livronasmaos.blogspot.com.br/

    Já tive outros blog, mas nunca dei muita atenção, diferente deste, que estou investindo bastante, e como queria deixar ele mais ativo e mais conhecido pensei em realizar entrevistas com escritores, e adorei conhecer um pouco das suas obras.

    Teria como a Sra. me conceder uma entrevista? Posso visitá-la ou mesmo por vídeo ou e-mail.
    Fico no aguardo.

    Abraços.

  6. Luan disse:

    Ola meu nome é Luan tenho 12 anos estou no 6º ano e li sua obra Uma cidade de carne e osso. Gostei muito só fiquei curioso em relação ao medo do coveiro..em que obra a senhora revela este medo??

    • Olá, Luan:
      Acho que só trato desse assunto no livro que você leu, “Uma cidade de carne e osso”.
      E na verdade não tenho medo de coveiro, não. Ele é um trabalhador como qualquer outro, certo? A história que eu conto é de um tempo mais antigo, onde as pessoas eram mais supersticiosas. Hoje as pessoas não entram mais nessa, não.
      Um beijo pra você. 🙂

  7. Carlos Sá disse:

    Bom dia, apresente um de seus projeto a nossa editora NOVATERRA – http://www.editoranovaterra.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *