Cervantes, um feminista

Lendo Dom Quixote, e o capítulo da formosa pastora Marcela, de tão extremada beleza e amabilidade que por ela todos se apaixonam e se perdem em profundas penas, embora ela jamais dê ilusões a ninguém. Marcela quer sua liberdade de viver sua própria vida e suas escolhas. Não quer amores, e sim o recolhimento na altura das montanhas, ao lado de seus animais, das águas cristalinas das fontes e da beleza das árvores frondosas do bosque.

Mas eis que, por ser tão arredia e ingrata a quem a ama, muitos passam a considerá-la pior que a peste: com sua beleza e simpatia conquistava, mas com seu desdém só espalhava sofrimentos. Chegam ao ponto de chamá-la de “assassina”, quando um dos seus enamorados, jovem rico e admirado pelos colegas, suicida-se por amor.

É então que Cervantes, admirador de mulheres fortes e independentes, põe na boca da pastora formosa e livre, um veemente discurso a favor da liberdade de escolha, afirmando todas as suas razões. E nosso galante cavaleiro andante sai, destemido, em defesa.

 

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