Uma torneira aberta

Iracy vende talão de zona azul na esquina por onde passo quase todo dia.

É leitora voraz e sempre lhe empresto livros. Só livros bons. Pois quando, às vezes, tento lhe repassar algum livro que, por acaso ganhei, mas não fui com a cara, posso ter certeza de que ela tampouco vai gostar. Autodidata, crítica, exigente, ela é o que podemos chamar de uma leitora qualificada. Conhece os clássicos, ama vários deles, está familiarizada com os grandes autores contemporâneos, adorou “Baudolino” do Umberto Ecco, fica feliz quando sai um novo Amos Oz, e gostou muito do valter hugo mãe que lhe emprestei. Atualmente está lendo o “1822”, de Laurentino Gomes.

Passando por sua esquina hoje, ela me parou:

– Me diga uma coisa, de onde é que tá saindo tanto livro, meu Deus? A gente entra na livraria e fica maluca.

Eu ri.

– Entrei na FNAC ontem e saí sem comprar nada. Como é que vou saber o que é bom e o que é ruim? Antes não era assim. De onde está saindo tanto escritor? Parece que abriram uma torneira e não sabem mais como fechar!

Tive que concordar: – Você acertou na mosca, Iracy.

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