Pérfidos e maravilhosos

No post anterior, falei de um escritor que, de tão bem que escreve, parece tirar o chão dos outros. Coloco nessa categoria Nabókov, Guimarães Rosa, e talvez alguns mais que não vem ao caso citar agora.

Há outros, no entanto, que da mesma forma, de tão bem que escrevem, provocam a sensação felizmente oposta de não só abrir um caminho, como estender um tapete e chamar para seguirmos com eles. São os que fazem você pensar que, embora aquilo que eles escreveram seja tão maravilhoso, parece fácil, água pura de beber e, talvez, quem sabe!, até possível. Autores como Dostoiévski, Margaret Atwood, Nelson Rodrigues. Claro que eles são terríveis trapaceiros, perfeitos ilusionistas. Chegam a ser pérfidos. Escrever jamais é tão fácil quanto fazem crer. Mas é que têm esse jeito diabólico de puxar você, fazer você querer mais do que tudo se aventurar e voar no alto trapézio que lhes parece tão natural. E assim aproximam a literatura de você e por isso são tão importantes: com sorte, dão frutos, têm filhotes.

Claro que essas escolhas são absolutamente pessoais e inexplicáveis. Colocar nessa lista um Dostoiévski pode parecer heresia a muitos, mas esse é o tipo de coisa que tem um caminho absolutamente particular de chegar a cada um. O que me estimula pode desestimular você e vice-versa.

Por sorte a vida é assim. Cheia de vice-versa.

E cheia de vários tipos de autores, desde os que parecem dar a outros escritores um chega pra lá até os que puxam sua vontade pela mão. Seja como for, e cada qual a sua maneira, o que todos mostram é a inesgotável riqueza e extrema versatilidade da casa da literatura.

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2 respostas a Pérfidos e maravilhosos

  1. Izilda Bichara disse:

    Adoro seus posts, Maria José, e suas observações sobre alguns autores, nestas duas últimas postagens, são perfeitas!
    Beijão,
    Izilda

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